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segunda-feira, 10 de junho de 2013




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quinta-feira, 16 de maio de 2013




                                  

NARRATIVA DE VALENTINA
                              Capítulo I
                              Por que eu?



Minha história começa á uns séculos atrás, bem, acho melhor não começar do princípio, começarei a contar no dia que coisas estranhas começaram a acontecer.

Sou filha única,na época tinha dezesseis para dezessete anos, estudava em um colégio interno,na verdade cresci lá,longe dos meus pais. Até certo tempo a única explicação para isso era o trabalho deles, eles viviam viajando,vinham me ver só no natal,às vezes também não vinham,sim é estranho eu não sabia muita coisa deles,nada além de seus nomes. Mandavam-me cartas todos os meses,contando de suas aventuras pelo mundo. Cresci ouvindo as histórias de lugares incríveis que certamente eu não iria conhecer por viver trancada em um colégio onde passei a infância só, chorando todas as noites,a única amizade que eu havia cultivado era de Wendy,uma garota que chegou no colégio deixada pelos tios,sofrera muito com a morte dos pais em um acidente de carro. Wendy e eu viramos grandes amigas,éramos como irmãs,ela era minha única companhia.

Durante toda a minha vida,eu me fazia perguntas,sobre

tudo,sem ter ninguém para responder. O tempo passou,a garota estranha e solitária cresceu,e ainda não sabe o que se tornou.Seus pais são um mistério,então ela não sabe o que sente,essa sou eu Valentina.

Esse ano não foi diferente dos outros,cartas e cartas dos meus pais,esse ano eles prometeram que viriam para passar o natal em uma cidadezinha comigo,esses passeios eram minha única chance de respirar o ar fora daqueles portões altos e sombrios de ferro.

Estávamos chegando nas férias de julho,a maioria dos país buscam seus filhos, aqui sempre entrava internos novos depois das férias,como sempre para mim férias e gente nova não me importavam.

Ano passado, entrou um interno seu nome era Frederico,mas todos aqui o chamavam de Fred,apesar de tudo parecer triste sempre as pessoas buscam a esperança no amor,não foi diferente,Wendy se apaixonou. Tanto para mim quanto para ela era novidade isso, no começo ela não sabia o que sentia.

Tudo começou na aula de física quântica,quando a professora mais rabugenta senhora Marie Kinsley,trocou-me de lugar, colocando Fred então atrás de Wendy,no meu antigo lugar. Fiquei contente por ela, assim pelo menos ela podia trocar algumas palavras com ele. E eu? Sozinha no canto da sala. Não temos até hoje uma explicação lógica para isso,aliás tem sim, essa professora me odeia.  

Os dias transcorriam, e eu ficava mais sozinha, sim, Wendy foi conhecendo melhor Fred, e eu achei melhor que ela passasse mais tempo com ele, abdiquei da minha amizade, da minha única amiga, se era assim que ela ia se sentir feliz. Nós ainda nos falávamos bastante, ela era minha parceira de quarto, nossas noites eram as melhores, ficávamos sonhando acordadas, rindo dos planos que fazíamos quando nós ganhássemos nossa “liberdade”, riamos de tudo, depois de muita conversa, nós íamos dormir feliz, apesar dos dias gelados que tínhamos.

Agora eu tinha mais tempo só, aliás, nas tardes eu ia até o refeitório e conversava com Beth, uma das cozinheiras do colégio. Ela era a única depois de Wendy, que me fazia companhia.

Finalmente as férias chegaram para alguns, essa era a época em que ficavam poucas pessoas no colégio, uma dessas pessoas era eu. Os tios de Wendy esse ano vieram buscá-la, pois sua prima havia chegado de uma longa viagem em que tivera fora.

Esse foi o tempo em que as coisas estranhas começaram a acontecer comigo, eu tinha exatamente dezesseis anos e meio, a noite enquanto eu folheava um livro que peguei na biblioteca mais cedo,minha temperatura começou a subir,já não estava em estado febril,deveria está com mais de quarenta graus,eu transpirava,Marta a camareira do colégio que passava pelo corredor,viu a porta do meu quarto entreaberta entrou e me viu desmaiada na cama.

Acordei na enfermaria, estavam lá a senhora Marie Kinsley, meus pais e a enfermeira Laura,mas meus pais não estavam na Holanda? Como chegaram tão rápido aqui? Eu estava confusa,mas pude entender algumas palavras que meu pai dizia a minha mãe,ouvi algo sobre está na hora,mas hora de que? De acabar com essa palhaçada e eu ter uma vida normal? Cochilei,quando acordei,minha mãe ainda me velava, e meu pai estava meio confuso, conversando com a senhora Kinsley, ouvi mais um pouco da conversa, eles conversavam sobre eu sair finalmente daquele mausoléu de colégio,longe de tudo e de todos,e mais uma vez a senhora Kinsley tinha que estragar a minha vida,ela dizia ao meu pai em que ainda era preciso me manter por mais um tempo ali,por quê? Eu queria respostas.

As férias começavam apenas. Eu melhorava a cada dia que passava,mais notava diferenças em mim,me sentia mais revigorada,me sentia mais forte,meus pais haviam voltado para a Holanda. Meus dias eram todos iguais de manhã eu ia para o refeitório tomava meu leite com creme que Beth preparava para mim, depois eu ia para o laboratório de biologia estudar, depois passava na biblioteca pegava um livro, quando o sol se punha eu ficava observando as estrelas da janela do meu quarto com o telescópio que havia ganhado no natal passado. E assim meus dias passaram uns mais chatos que outros, me sentia mais sozinha.


As férias chegavam ao fim, faltavam apenas três dias para o término, mas esses eram os dias em que os novatos começavam a chegar, eu os via chegar, só podia lamentar depois que passavam por aqueles gigantescos portões de ferro, era difícil sair. 
Enquanto lia um conto de horror, sentada perto da janela, um galho bateu no vidro da janela, eu estiquei o pescoço para vê o que era,e avistei,o garoto mais bonito que eu já vi na minha vida,sim eu sei,não tinha visto muitos garotos,mais ainda sim era lindo,observei mais um pouco,e misteriosamente ele olhou para cima,olhou para mim,e fixou seu olhar na janela. Eu precisava saber quem ele era mais decidir terminar as poucas páginas do livro que faltavam.


Acabei de ler o livro,fechei-o coloquei em cima da cama, e desci as escadas,até o saguão,lá estava ele,com uma mochila surrada nas costas,e uma mala de mão,os pais dele conversava com a diretora Jamie,ele parado olhava tudo a sua volta. Parei na escada, apoiei minha mão no corrimão de madeira, e fixei aquela cena, eu pensava quais eram os motivos para aquele garoto está ali. A diretora mostrou o resto do colégio, e mostrou o dormitório dele, o dormitório das meninas eram do lado direito e o dos meninos do lado esquerdo, o quarto em que ele ficou, não havia ninguém, parece que ele ia ter um quarto só para ele,pelo menos por enquanto. Depois que ele deixou as malas no quarto, ele desceu com a diretora e seus pais até o portão, onde se despediu deles. Sua mãe parecia lhe dá instruções, e seu pai entregou-lhe um objeto que não pude perceber, porque acompanhava tudo da janela do meu quarto. Depois ele e a diretora entraram no colégio. O sol estava quase se pondo, aquilo tudo havia me dado fome, fui até o refeitório, era dia de torta de morango. Levei comigo o livro, depois ia passar na biblioteca para devolver e pegar outro. Enquanto descia distraída os degraus, ele vinha subindo,e nos esbarramos,ele olhou para mim,eu olhei para ele.Ele imediatamente disse:

-Desculpa.

E subiu, ele tinha um cheiro insuportável,o que tinha de bonito tinha de fedorento. Ele deveria ir para o banheiro dos meninos tomar um banho urgente, cheirava a alho ou cebola, não sei. Mas a cara que eu fiz,não tive culpa,foi instinto.

Depois daquela cena deprimente, fui até o refeitório que por sinal estava vazio, só estava a Beth, recolhendo as bandejas, deixei o livro em cima de uma das mesas, e fui ajudar depois de recolhermos as bandejas ela me deu uma fatia generosa de torta de morango. Depois de deliciar-me com a torta, mal eu sabia que seria a última, não vem ao caso contar-lhes o porquê agora, peguei o livro e fui até a biblioteca, devolvi o livro, e andei pelos longos corredores da biblioteca procurando um titulo que me agradasse, eu parei e retirei um livro, e vi pela brecha aqueles olhos verdes, era ele, peguei o livro e dei uma olhada, o titulo me agradava, como ainda era quase noite a biblioteca estava iluminada, andei até a mesa mais próxima hoje ia fazer a minha leitura ali mesmo. Sentei-me, comecei a ler. Podia notar uma figura se aproximando de mim, ele parou e disse:

-Posso me sentar?

-Pode sim – Respondi, ele havia tirado aquele cheiro desagradável, cheirava até muito bem.

-Desculpa pelo esbarrão na escada,estava meio distraído- disse ele levantando uma das sobrancelhas- E me desculpa pelos meus maus modos,me chamo Vincenzo.

-Ah! Sem problemas,me chamo Valentina- Eu disse.

Conversamos por um bom tempo, aliás, só paramos de conversar quando a senhorita Mirian desligou as luzes da biblioteca,e pediu que nos retirássemos,conversamos sobre tudo, só não entendi muito bem o porquê de ele ter ido parar ali. Despedimo-nos e fomos cada um para seus respectivos quartos. Não consegui dormir a noite, passava muito mal, a torta de morango não me fez muito bem, desde da febre eu já não comia muita coisa,tudo meu corpo rejeitava. Passei a noite em claro, no banheiro vomitando. Estava muito fraca, fui então a enfermaria, era plantão de Jessica,ela mandou chamar a diretora Jamie,eu estava muito mal,mal conseguia falar,meu corpo tremia todo,logo me medicaram terminei de passar a noite na enfermaria,de manhã para minha surpresa Vincenzo,foi até lá para vê como eu estava. Era o último dia de férias, os alunos já chegavam, Vincenzo seria da minha sala, para minha felicidade, ou não.






                                                      Capítulo II

                            Conte-me uma novidade

As férias chegavam ao fim. Wendy chegou já ao anoitecer, e me contava as novidades da sua viagem, ela passou na casa de seus tios e me contava muito empolgada sobre a prima que passou um tempo viajando pelo mundo, me contou também que agora era uma  menina comprometida. Durante as férias ela e Fred se encontraram, ele passou as férias em uma pousada perto da casa dos tios de Wendy, todo o pôr do sol ela saia escondido de seus tios para ir vê-lo, e assim se sucedeu as férias todas, os dois já não podiam ficar sem se falar por mais de um dia. Ela me contava detalhes sobre quando ele foi pedi-la em namoro. Ele até ajoelhara. Fiquei muito feliz, por ela. E ela me perguntou:

- E as suas Valet?

-As minhas foram meio assustadoras, eu passei muito mal agora no fim, e acho que fiz amizade com um novato - Respondi.

-Aquele dos olhos verdes? Uau. Que bom assim o tempo em que eu tiver com o Fred você vai ter companhia.

-É,talvez.

-Você tá diferente amiga- Ela disse me olhando de cima a baixo.

-Diferente como?-Perguntei assustada.

-Ah! Eu não sei,você ficou trancada nesse quarto as férias todas?

-Não, eu andei pelo colégio deserto e a tarde ia dá umas voltas no jardim.

-Você anda pálida. E seus olhos andam foscos- Disse ela com uma cara de espanto.

-Foscos? Acho que tá exagerando,vamos dormir já é tarde amanhã temos aula- Respondi querendo sair do assunto.



Um raio de sol,transpassava as cortinas,e iluminava o quarto. Acordei,e fui usar o banheiro,olhei-me no espelho,via minha imagem meio embaçada,esfreguei os olhos mais não adiantou muita coisa. Coloquei uma roupa e deixei Wendy que ainda despertava. Quando cheguei ao refeitório ainda vazio,Vincenzo estava já em uma das mesas no canto,lia um livro grosso,com uma capa meio velha,não consegui ler o título,mais ele parecia bem concentrado,andei devagar até a mesa em que ele estava e disse:

- Posso me sentar?

Ele tomou um susto e fechou o livro rapidamente e colocou em seu colo.

-Nem te vi chegar! Claro que pode. Me diz aí,você tá melhor?

-Estou sim, o que lia?-Perguntei.

-Ah um livro de auto ajuda- Respondeu ele

-Autoajuda? Tá, como se você precisasse, você me parece tão decidido tão certo de suas escolhas.

-É as aparências enganam, mas vamos sair do assunto, me diz o que você vai fazer depois das aulas?

-A mesma coisa de sempre, nada de interessante.

-Quer ir comigo dá uma volta no jardim?

- No jardim? Qual deles, esse que fica depois da ponte?

-É chegando na floresta. Lá tem uns bancos e é bem sossegado, gosto de lugares tranquilos.

-Tá vou sim.

Cada aula passava em uma lentidão. Esqueci de lhes contar que ele sentava do meu lado, nas aulas, como eu e ele não tínhamos dupla, o senhor Boris professor de álgebra nos colocou como dupla. Na última aula ele me disse que era para eu encontrar ele no jardim, ele não poderia ir comigo, ele teria que passar no seu quarto primeiro. E eu fui. 



 Caminhei até a ponte,onde passava um riacho,e sentei-me em um dos bancos que havia debaixo da árvore e onde havia sombra,o sol me incomodava bastante e me deixava fraca,eu não sabia o motivo,mais alguma coisa de muito estranho tava acontecendo. Passaram-se dez minutos e Vincenzo deu o ar da graça,achei que ele não iria vir mais.

-Desculpa a demora, aconteceram uns imprevistos. Que bonito lugar, não?

-Sim muito bonito. Imprevistos se chamam Lizie e Hanna?

-Ah elas, sim,muito receptivas né?
-São sim, oh se são.
-Ela é assim com todos?
-Carne fresca. Daqui a  pouco talvez elas te esquece.
-Não vim aqui para conversar sobre elas- Disse ele sério.
-Pensei que estávamos aqui para jogar o papo fora - Respondi
-Eu quero te conhecer melhor, afinal você é a única pessoa legal que eu conheci aqui.
 -Me conhecer? Não há muita coisa sobre mim, na verdade até eu me faço essa pergunta, você não tem um livro de autoajuda bom para isso não?
-Como veio parar aqui - perguntou ele
-Olha na verdade nem eu sei, desde que eu me entendo por gente eu vivo aqui. Não conheço muita coisa sobre o mundo aí fora, só por cartas mesmo.
-Deve ter sido difícil não é?
-Muito, podia ser pior, pelo menos eu tenho a Wendy, ou tinha- Ri-E você como veio parar aqui?
-Meus pais acharam melhor eu ter uma educação mais regrada.
-Pelo menos viveu até agora com eles, eu não sei muita coisa dos meus,só através de uma visita no ano ou cartas mensais. E como se eles tivessem me esquecido aqui,já me senti muito sozinha.
-Agora você me tem. Sou seu amigo não sou?
-É- Me levantei- Olha me desculpa eu tenho que voltar para o colégio,o sol não tá me fazendo muito bem,ultimamente coisas estranhas andam acontecendo e eu nem sei bem o que são, temo ser uma doença grave,não me alimento,não consigo.
-Típico - Disse ele murmurando
-Hã?O que disse?-Perguntei
-Hã?Nada. Tá tudo bem,vamos voltar.
Voltamos para o colégio,ele fixava seus olhos nos meus tentando encontrar alguma coisa,ele tinha um ar misterioso,sempre tentando saber mais sobre mim,chegando no colégio,a senhora da chatice Kinsley me chamou na sala dela e disse que meus pais estavam vindo para a cidade,e que eu iria ser liberada por alguns dias,e que era para eu arrumar minhas coisas.
O que estava acontecendo? Meus pais nunca fizeram isso,era alguma coisa realmente ruim. Mas iria ser bom assim eu poderia morrer em paz,afinal o que eu sentia estava na cara ser uma doença muito grave.
Encontrei Wendy e informei que eu iria passar uns dias fora,fui até meu quarto e arrumei uma mochila. Tudo tava tão confuso, fui até o banheiro, minha imagem ainda estava embaçada, eu tinha que encontrar uma coisa: eu.
Alguém batia na porta, quando abri era ele, Vincenzo. Ele olhou para o quarto e viu minha mochila e disse:
-Vai fugir?Ou lembraram de você?
-Lembraram de mim, eu vou passar uns dias com os meus pais, acho que estou no meu leito de morte.
-Você acha isso? Acho que é besteira sua, coisa da sua cabeça, talvez é só uma fase.
-Fase terminal para mim. Então você sabe muito sobre mim agora. E você para mim é só um mistério.
-Você volta quando?-Perguntou ele tentando sair do assunto
-Não sei,é só alguns dias,no máximo uma semana.
-Vou sentir sua falta.
-Isso é uma brincadeira?
-Não,não é. Não brinco com isso.
- É que a gente se conhece não tem muito tempo
-Você é a única pessoa interessante por aqui
-Que gentil.
-Eu vou indo,tenho que escrever para os meus pais. Fico feliz por você poder sair um pouco daqui, vai ser bom, e quem sabe você não se descobre.
-É eu espero.
-Tchau- Ele ia saindo do quarto.

Terminei de arrumar minhas coisas, peguei minha mochila, vi quando o carro dos meus pais chegou ao portão. Desci. Minha mãe e meu pai me esperava no saguão.

                                                      
                           Capítulo III
                          Não acredito!



Quando desci meus pais me esperavam, estavam de pé um pouco depois da recepção, eu me aproximei e eles me abraçaram, e se olharam. Fomos em direção ao portão que se abriu.

Entramos no carro, eu não sabia aonde íamos. Fomos do colégio até um hotel meio bizarro. Onde só tinha pessoas bizarras.
Depois do meu pai, preencher algumas papeladas do hotel, subimos. Era um hotel meio rústico, com uns lustres muito velhos, mas bonitos, não tinha elevador ou algo do tipo. Subi vários degraus até dá em uma porta, a porta do quarto onde eu iria ficar. Minha mãe quebrou o silêncio e disse:
-Valet, eu e seu pai estamos no quarto ao lado, qual quer coisa é só chamar, encontro você ás sete lá no restaurante do hotel.
-Está bem, depois eu queria fazer algumas perguntas para vocês pode ser?
-Claro,filha!-disse meu pai- Mais acho que não vai precisar, trouxemos você aqui para esclarecer todas suas dúvidas.
-Então tá. Eu vou deixar minha mochila no quarto e encontro vocês daqui a pouco lá em baixo.
Eles entraram para o quarto, e eu entrei no meu. Quando abri a porta, o quarto tinha uma cama, um abajur de madeira, alguns livros. Andei por ele todo. Encontrei várias coisas, encontrei cartas,encontrei até um diário aberto com umas páginas arrancadas,e outras queimadas,pouca coisa dava para se ler,pude folhear algumas páginas,e tinha uma data muito antiga,o diário era antigo. Explorei mais o quarto, havia livros e livros, alguns até em latim. Olhei da janela, tinha uma vista bonita e sombria de uma floresta gelada. Quando dei por mim já era hora de encontrar com meus pais. Desci.
Eles me esperavam em uma das mesas do restaurante, andei, e me sentei. Meu pai olhou para minha mãe e cochichou:
-Eu começo ou você?
Olhei para eles. E minha mãe calou-se por instantes e disse:
-Vamos os dois. Bom filha o que temos para te falar, talvez você não acredite, ou talvez não reaja bem, mas tudo que fizemos pensamos em você.
-Tá gente, por favor, prossiga -disse eu.
-Eu conheci sua mãe na faculdade, eu me apaixonei. Só que nosso romance era proibido, por sermos seres completamente diferentes.
-Na personalidade?-Indaguei.
-Não. Eu sou um vampiro, e ela era uma humana.
-Você o que? Gente eu quero coisas sérias sem brincadeiras, já não sou criança, para de falar as coisas metaforicamente.
-Ele está certo, filha. -Disse ela.
-Largam de ser bobos! Vampiros não existem.
-Todos nesse hotel são Valentina. Não estamos brincando, esse é um papo sério.
-Então o que eu sou? Meio-humana?-Perguntei
-Ou meio - vampira -Disse meu pai- Você está na idade da transformação, não está reparando que coisas estranhas vêm acontecendo com você? Essa sua febre, essa sua indisposição ao sol, e outras coisas que você sabe o que é.
-Olha isso tudo é muito pra mim. Eu preciso de dá uma volta-me levantei.
-Não.Espere filha- Minha mãe disse se levantando
-Deixa ela Helena- Disse meu pai- Aqui é seguro.

Caminhei até a floresta gelada. Corri, flutuava. O mundo caía sobre mim. Tudo em que eu acreditava ser foi destruído. Agora eu era uma arma. Eu era o que não queria ser. Gritei, meus gritos ecoavam tão alto, que fazia os corvos ,voarem. Respirei fundo encostei-me a uma árvore, e fui caindo.




Passei um tempo ali, sentada naquele chão cheio de folhas secas, pensando. E ali fiquei por um bom tempo,quando dei por mim o sol já havia ido embora e agora a noite avançava,silenciosa e gelada. Vi um vulto, olhei para o lado minha mãe estava lá, e disse:

-Filha vamos voltar para o hotel! Precisamos terminar a conversa.

-Ainda tem mais? Vão me contar o que agora?

-Vem.

Fomos caminhando silenciosamente até o hotel, chegando lá, meu pai nos aguardava ainda na mesa. Sentamos. E ele resolveu se manifestar:

-Tá mais calma mocinha?

-Porque vocês me deixaram naquele colégio abandonada como um cão sem dono?

-Fizemos isso para o seu bem. Vida de vampiro é fácil,quando poucos acreditam e poucos a conhecem,mas torna-se perigosa quando esses poucos vêm te caçar como animal - Disse ele.

-Então, onde eu entro nisso?

-Passamos a vida tendo que nos mudar de um canto á outro, achamos que você merecia uma vida normal até onde desse.

-Vida normal? Você chama isso de vida normal? Ficar presa em um colégio onde você não tem ninguém para te dá atenção te dá carinho, eu queria ser uma criança normal, mais passei a minha infância sozinha desejando está ao lado de vocês. Vocês não sabem o que é uma vida normal então- Falei com um tom mais alto, e me estressando.

-Calma filha- disse minha mãe- Não é assim.

-É assim sim- respondi.

-Valentina entenda nosso lado,quando sua mãe teve você quando você era só um bebê,ela quase morreu, ela escolheu se transformar para vê você crescer para te proteger. Há pessoas lá foram que vivem a nos caçar. Queríamos que aquele bebê ficasse a salvo, pelo menos até ela se transformar. Deixamos você lá naquele colégio porque tínhamos uma pessoa de confiança lá,que saberíamos que ia proteger você,ou nos avisar quando alguma coisa estivesse errada.

-Quem?-Perguntei

-Não podemos falar agora- Disse minha mãe.

-Tá, me deixa vê se entendi. Eu sou meio - vampira. Cresci longe de vocês porque há pessoas que nos caçam? Como se já não me sentisse animal o bastante.

-Eu sei filha como é difícil, há restrições e muito cuidado nessa vida- disse meu pai.

- E quais são?- Perguntei

-Há boas coisas de ser um vampiro, e há más. As boas são que daqui a dois anos quando o processo de transformação tiver chegado ao fim,você irá ter dezoito para sempre,claro na aparência,ganhará a imortalidade,você terá mais força e seus sentidos ficarão mais apurados do que de qual quer humano,terá o controle,assim que você conseguir aprender os métodos,você conseguirá hipnotizar qual quer humano,terá uma maior habilidade,poderá correr mais, sendo até quase impossível de prevenir sua chegada,e poderá saltar de grandes alturas.

-Vampiros também morrem filha- Disse minha mãe- Se uma estaca de madeira ou uma adaga especial atravessar seu coração, ou se você se expor a luz do sol.

-E como eu vou sair? Como vocês aparecem no colégio e nada aconteceu com vocês?

-Íamos chegar aí. Temos um presente para você.

-Para mim? O que é?

-É um colar. Com esse colar você poderá viver em sociedade, poderá sair à luz do sol sem nenhum problema.

-E o que tem de especial nesse colar?- Perguntei.

-Uma pedra vermelha especial. Agora não vamos explicar tudo você irá entender depois.

-Onde conseguiram isso?

-Uma amiga nossa, fez para você, talvez um dia você a conheça.

-E o que vai ser da minha vida agora?-Eu perguntei.

-Você voltará para a escola dentro de poucas horas.

Meu pai subiu para ir buscar o tal colar. Eu fiquei esperando com minha mãe na mesa, e ela disse:

-Filha agora você tomará todo cuidado do mundo, fique de olho os caçadores estão por aí.

Meu pai voltou. E me deu uma caixinha de madeira. Abri. Dentro dela havia um colar, cujo pingente era um pequeno raio e atrás dizia algo que não conseguir ler, o raio tinha na beirada a pequena pedra vermelha. Era realmente lindo. Meu pai disse:

-Não tire esse colar em hipótese nenhuma quando estiver a luz do dia a menos que queira virar pó.

Depois dessa conversa subimos para arrumar nossas coisas,eu iria voltar ao colégio.


 Besteira não havia nenhum perigo naquele colégio.





NARRATIVA DE  VINCENZO
                     
                      Capítulo IV
                       O começo 

                             


Quando cheguei naquele colégio pela primeira vez, estava parado no portão, passou um vento forte, um galho havia batido na janela, fez um barulho tão intenso que eu olhei e quando olhei, avistei uma garota que me observava, ela era muito bonita, eu não conseguia parar de olhar, fixei meu olhar na janela, em que ela me observava, mas de repente ela desapareceu.
A diretora do colégio mostrou a escola a mim e aos meus pais que me acompanhavam.
Não fui para aquela escola por motivos normais eu tinha uma missão, minha primeira missão.
Fiquei em um quarto separado, ou seja, não iria ter colega de quarto, meus pais haviam solicitado a diretora. Tudo isso para que eu completasse a minha missão e era o que eu pretendia. 
Depois de mostrar toda a escola,fui com a diretora acompanhar meus pais até o portão principal. Quando fui me despedir deles minha mãe relembrou o que eu teria que fazer,e meu pai me deu um livro,uma espécie de manual, e me deu alguns dentes de alho que eu guardei no bolso da jaqueta de couro preta que eu usava,alhos alimento importante para descobrir o que eu estava procurando,não era o que mais quem.
Quando ia subindo para o quarto,a garota da janela estava descendo eu fingi de distraído e esbarrei nela por querer, e ela fez uma cara tão repulsiva,deveria ter sentido o cheio dos alhos dentro do meu bolso,uma pessoa normal não sentiria o cheiro dos alhos,até porque estavam em seu estado normal. Eu ainda não tinha certeza absoluta,toda certeza era pouca,então decidi investigar mais.


 
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