NARRATIVA DE VALENTINA
Capítulo IPor que eu?
Minha história começa á uns séculos atrás, bem, acho
melhor não começar do princípio, começarei a contar no dia que coisas estranhas
começaram a acontecer.
Sou filha única,na época tinha dezesseis para
dezessete anos, estudava em um colégio interno,na verdade cresci lá,longe dos
meus pais. Até certo tempo a única explicação para isso era o trabalho deles,
eles viviam viajando,vinham me ver só no natal,às vezes também não vinham,sim é
estranho eu não sabia muita coisa deles,nada além de seus nomes. Mandavam-me
cartas todos os meses,contando de suas aventuras pelo mundo. Cresci ouvindo as
histórias de lugares incríveis que certamente eu não iria conhecer por viver
trancada em um colégio onde passei a infância só, chorando todas as noites,a
única amizade que eu havia cultivado era de Wendy,uma garota que chegou no
colégio deixada pelos tios,sofrera muito com a morte dos pais em um acidente de
carro. Wendy e eu viramos grandes amigas,éramos como irmãs,ela era minha única
companhia.
Durante toda a minha vida,eu me fazia perguntas,sobre
tudo,sem ter ninguém para responder. O tempo passou,a
garota estranha e solitária cresceu,e ainda não sabe o que se tornou.Seus pais
são um mistério,então ela não sabe o que sente,essa sou eu Valentina.
Esse ano não foi diferente dos outros,cartas e cartas
dos meus pais,esse ano eles prometeram que viriam para passar o natal em uma
cidadezinha comigo,esses passeios eram minha única chance de respirar o ar fora
daqueles portões altos e sombrios de ferro.
Estávamos chegando nas férias de julho,a maioria dos
país buscam seus filhos, aqui sempre entrava internos novos depois das
férias,como sempre para mim férias e gente nova não me importavam.
Ano passado, entrou um interno seu nome era
Frederico,mas todos aqui o chamavam de Fred,apesar de tudo parecer triste
sempre as pessoas buscam a esperança no amor,não foi diferente,Wendy se
apaixonou. Tanto para mim quanto para ela era novidade isso, no começo ela não
sabia o que sentia.
Tudo começou na aula de física quântica,quando a
professora mais rabugenta senhora Marie Kinsley,trocou-me de lugar, colocando
Fred então atrás de Wendy,no meu antigo lugar. Fiquei contente por ela, assim
pelo menos ela podia trocar algumas palavras com ele. E eu? Sozinha no canto da
sala. Não temos até hoje uma explicação lógica para isso,aliás tem sim, essa professora
me odeia.
Os dias transcorriam, e eu ficava mais sozinha, sim,
Wendy foi conhecendo melhor Fred, e eu achei melhor que ela passasse mais tempo
com ele, abdiquei da minha amizade, da minha única amiga, se era assim que ela
ia se sentir feliz. Nós ainda nos falávamos bastante, ela era minha parceira de
quarto, nossas noites eram as melhores, ficávamos sonhando acordadas, rindo dos
planos que fazíamos quando nós ganhássemos nossa “liberdade”, riamos de tudo, depois
de muita conversa, nós íamos dormir feliz, apesar dos dias gelados que tínhamos.
Agora eu tinha mais tempo só, aliás, nas tardes eu ia
até o refeitório e conversava com Beth, uma das cozinheiras do colégio. Ela era
a única depois de Wendy, que me fazia companhia.
Finalmente as férias chegaram para alguns, essa era a
época em que ficavam poucas pessoas no colégio, uma dessas pessoas era eu. Os
tios de Wendy esse ano vieram buscá-la, pois sua prima havia chegado de uma
longa viagem em que tivera fora.
Esse foi o tempo em que as coisas estranhas começaram
a acontecer comigo, eu tinha exatamente dezesseis anos e meio, a noite enquanto
eu folheava um livro que peguei na biblioteca mais cedo,minha temperatura
começou a subir,já não estava em estado febril,deveria está com mais de
quarenta graus,eu transpirava,Marta a camareira do colégio que passava pelo
corredor,viu a porta do meu quarto entreaberta entrou e me viu desmaiada na
cama.
Acordei na enfermaria, estavam lá a senhora Marie
Kinsley, meus pais e a enfermeira Laura,mas meus pais não estavam na Holanda?
Como chegaram tão rápido aqui? Eu estava confusa,mas pude entender algumas
palavras que meu pai dizia a minha mãe,ouvi algo sobre está na hora,mas hora de
que? De acabar com essa palhaçada e eu ter uma vida normal? Cochilei,quando
acordei,minha mãe ainda me velava, e meu pai estava meio confuso, conversando
com a senhora Kinsley, ouvi mais um pouco da conversa, eles conversavam sobre
eu sair finalmente daquele mausoléu de colégio,longe de tudo e de todos,e mais
uma vez a senhora Kinsley tinha que estragar a minha vida,ela dizia ao meu pai
em que ainda era preciso me manter por mais um tempo ali,por quê? Eu queria
respostas.
As férias começavam apenas. Eu melhorava a cada dia
que passava,mais notava diferenças em mim,me sentia mais revigorada,me sentia
mais forte,meus pais haviam voltado para a Holanda. Meus dias eram todos iguais
de manhã eu ia para o refeitório tomava meu leite com creme que Beth preparava
para mim, depois eu ia para o laboratório de biologia estudar, depois passava
na biblioteca pegava um livro, quando o sol se punha eu ficava observando as
estrelas da janela do meu quarto com o telescópio que havia ganhado no natal
passado. E assim meus dias passaram uns mais chatos que outros, me sentia mais
sozinha.
As férias chegavam ao fim, faltavam apenas três dias para o término, mas esses eram os dias em que os novatos começavam a chegar, eu os via chegar, só podia lamentar depois que passavam por aqueles gigantescos portões de ferro, era difícil sair.
Enquanto lia um conto de horror, sentada perto da janela, um galho bateu no vidro da janela, eu estiquei o pescoço para vê o que era,e avistei,o garoto mais bonito que eu já vi na minha vida,sim eu sei,não tinha visto muitos garotos,mais ainda sim era lindo,observei mais um pouco,e misteriosamente ele olhou para cima,olhou para mim,e fixou seu olhar na janela. Eu precisava saber quem ele era mais decidir terminar as poucas páginas do livro que faltavam.
Acabei de ler o livro,fechei-o coloquei em cima da
cama, e desci as escadas,até o saguão,lá estava ele,com uma mochila surrada nas
costas,e uma mala de mão,os pais dele conversava com a diretora Jamie,ele
parado olhava tudo a sua volta. Parei na escada, apoiei minha mão no corrimão
de madeira, e fixei aquela cena, eu pensava quais eram os motivos para aquele
garoto está ali. A diretora mostrou o resto do colégio, e mostrou o dormitório dele,
o dormitório das meninas eram do lado direito e o dos meninos do lado esquerdo,
o quarto em que ele ficou, não havia ninguém, parece que ele ia ter um quarto
só para ele,pelo menos por enquanto. Depois que ele deixou as malas no quarto, ele
desceu com a diretora e seus pais até o portão, onde se despediu deles. Sua mãe
parecia lhe dá instruções, e seu pai entregou-lhe um objeto que não pude perceber,
porque acompanhava tudo da janela do meu quarto. Depois ele e a diretora entraram
no colégio. O sol estava quase se pondo, aquilo tudo havia me dado fome, fui
até o refeitório, era dia de torta de morango. Levei comigo o livro, depois ia
passar na biblioteca para devolver e pegar outro. Enquanto descia distraída os degraus,
ele vinha subindo,e nos esbarramos,ele olhou para mim,eu olhei para ele.Ele
imediatamente disse:
-Desculpa.
E subiu, ele tinha um cheiro insuportável,o que tinha
de bonito tinha de fedorento. Ele deveria ir para o banheiro dos meninos tomar
um banho urgente, cheirava a alho ou cebola, não sei. Mas a cara que eu fiz,não
tive culpa,foi instinto.
Depois daquela cena deprimente, fui até o refeitório
que por sinal estava vazio, só estava a Beth, recolhendo as bandejas, deixei o
livro em cima de uma das mesas, e fui ajudar depois de recolhermos as bandejas ela
me deu uma fatia generosa de torta de morango. Depois de deliciar-me com a torta,
mal eu sabia que seria a última, não vem ao caso contar-lhes o porquê agora, peguei
o livro e fui até a biblioteca, devolvi o livro, e andei pelos longos
corredores da biblioteca procurando um titulo que me agradasse, eu parei e
retirei um livro, e vi pela brecha aqueles olhos verdes, era ele, peguei o livro
e dei uma olhada, o titulo me agradava, como ainda era quase noite a biblioteca
estava iluminada, andei até a mesa mais próxima hoje ia fazer a minha leitura
ali mesmo. Sentei-me, comecei a ler. Podia notar uma figura se aproximando de mim,
ele parou e disse:
-Posso me sentar?
-Pode sim – Respondi, ele havia tirado aquele cheiro desagradável,
cheirava até muito bem.
-Desculpa pelo esbarrão na escada,estava meio
distraído- disse ele levantando uma das sobrancelhas- E me desculpa pelos meus
maus modos,me chamo Vincenzo.
-Ah! Sem problemas,me chamo Valentina- Eu disse.
Conversamos por um bom tempo, aliás, só paramos de
conversar quando a senhorita Mirian desligou as luzes da biblioteca,e pediu que
nos retirássemos,conversamos sobre tudo, só não entendi muito bem o porquê de
ele ter ido parar ali. Despedimo-nos e fomos cada um para seus respectivos
quartos. Não consegui dormir a noite, passava muito mal, a torta de morango não
me fez muito bem, desde da febre eu já não comia muita coisa,tudo meu corpo
rejeitava. Passei a noite em claro, no banheiro vomitando. Estava muito fraca, fui
então a enfermaria, era plantão de Jessica,ela mandou chamar a diretora Jamie,eu
estava muito mal,mal conseguia falar,meu corpo tremia todo,logo me medicaram terminei
de passar a noite na enfermaria,de manhã para minha surpresa Vincenzo,foi até
lá para vê como eu estava. Era o último dia de férias, os alunos já chegavam, Vincenzo
seria da minha sala, para minha felicidade, ou não.
Capítulo II
Conte-me uma
novidade
As férias chegavam ao fim. Wendy chegou já ao anoitecer,
e me contava as novidades da sua viagem, ela passou na casa de seus tios e me
contava muito empolgada sobre a prima que passou um tempo viajando pelo mundo, me
contou também que agora era uma menina
comprometida. Durante as férias ela e Fred se encontraram, ele passou as férias
em uma pousada perto da casa dos tios de Wendy, todo o pôr do sol ela saia
escondido de seus tios para ir vê-lo, e assim se sucedeu as férias todas, os
dois já não podiam ficar sem se falar por mais de um dia. Ela me contava
detalhes sobre quando ele foi pedi-la em namoro. Ele até ajoelhara. Fiquei
muito feliz, por ela. E ela me perguntou:
- E as suas Valet?
-As minhas foram meio assustadoras, eu passei muito
mal agora no fim, e acho que fiz amizade com um novato - Respondi.
-Aquele dos olhos verdes? Uau. Que bom assim o tempo
em que eu tiver com o Fred você vai ter companhia.
-É,talvez.
-Você tá diferente amiga- Ela disse me olhando de cima
a baixo.
-Diferente como?-Perguntei assustada.
-Ah! Eu não sei,você ficou trancada nesse quarto as
férias todas?
-Não, eu andei pelo colégio deserto e a tarde ia dá
umas voltas no jardim.
-Você anda pálida. E seus olhos andam foscos- Disse
ela com uma cara de espanto.
-Foscos? Acho que tá exagerando,vamos dormir já é tarde
amanhã temos aula- Respondi querendo sair do assunto.
Um raio de sol,transpassava as cortinas,e iluminava o
quarto. Acordei,e fui usar o banheiro,olhei-me no espelho,via minha imagem meio
embaçada,esfreguei os olhos mais não adiantou muita coisa. Coloquei uma roupa e
deixei Wendy que ainda despertava. Quando cheguei ao refeitório ainda
vazio,Vincenzo estava já em uma das mesas no canto,lia um livro grosso,com uma
capa meio velha,não consegui ler o título,mais ele parecia bem
concentrado,andei devagar até a mesa em que ele estava e disse:
- Posso me sentar?
Ele tomou um susto e fechou o livro rapidamente e
colocou em seu colo.
-Nem te vi chegar! Claro que pode. Me diz aí,você tá
melhor?
-Estou sim, o que lia?-Perguntei.
-Ah um livro de auto ajuda- Respondeu ele
-Autoajuda? Tá, como se você precisasse, você me
parece tão decidido tão certo de suas escolhas.
-É as aparências enganam, mas vamos sair do assunto, me
diz o que você vai fazer depois das aulas?
-A mesma coisa de sempre, nada de interessante.
-Quer ir comigo dá uma volta no jardim?
- No jardim? Qual deles, esse que fica depois da
ponte?
-É chegando na floresta. Lá tem uns bancos e é bem sossegado,
gosto de lugares tranquilos.
-Tá vou sim.
Cada aula passava em uma lentidão. Esqueci de lhes
contar que ele sentava do meu lado, nas aulas, como eu e ele não tínhamos dupla,
o senhor Boris professor de álgebra nos colocou como dupla. Na última aula ele
me disse que era para eu encontrar ele no jardim, ele não poderia ir comigo, ele
teria que passar no seu quarto primeiro. E eu fui.
Caminhei até a
ponte,onde passava um riacho,e sentei-me em um dos bancos que havia debaixo da
árvore e onde havia sombra,o sol me incomodava bastante e me deixava fraca,eu
não sabia o motivo,mais alguma coisa de muito estranho tava acontecendo.
Passaram-se dez minutos e Vincenzo deu o ar da graça,achei que ele não iria vir
mais.
-Desculpa a demora, aconteceram uns imprevistos. Que
bonito lugar, não?
-Sim muito bonito. Imprevistos se chamam Lizie e
Hanna?
-Ah elas, sim,muito receptivas né?
-São sim, oh se são.
-Ela é assim com todos?
-Carne fresca. Daqui a
pouco talvez elas te esquece.
-Não vim aqui para conversar sobre elas- Disse ele
sério.
-Pensei que estávamos aqui para jogar o papo fora -
Respondi
-Eu quero te conhecer melhor, afinal você é a única
pessoa legal que eu conheci aqui.
-Me conhecer?
Não há muita coisa sobre mim, na verdade até eu me faço essa pergunta, você não
tem um livro de autoajuda bom para isso não?
-Como veio parar aqui - perguntou ele
-Olha na verdade nem eu sei, desde que eu me entendo
por gente eu vivo aqui. Não conheço muita coisa sobre o mundo aí fora, só por
cartas mesmo.
-Deve ter sido difícil não é?
-Muito, podia ser pior, pelo menos eu tenho a Wendy, ou
tinha- Ri-E você como veio parar aqui?
-Meus pais acharam melhor eu ter uma educação mais
regrada.
-Pelo menos viveu até agora com eles, eu não sei muita
coisa dos meus,só através de uma visita no ano ou cartas mensais. E como se
eles tivessem me esquecido aqui,já me senti muito sozinha.
-Agora você me tem. Sou seu amigo não sou?
-É- Me levantei- Olha me desculpa eu tenho que voltar
para o colégio,o sol não tá me fazendo muito bem,ultimamente coisas estranhas
andam acontecendo e eu nem sei bem o que são, temo ser uma doença grave,não me
alimento,não consigo.
-Típico - Disse ele murmurando
-Hã?O que disse?-Perguntei
-Hã?Nada. Tá tudo bem,vamos voltar.
Voltamos para o colégio,ele fixava seus olhos nos meus
tentando encontrar alguma coisa,ele tinha um ar misterioso,sempre tentando
saber mais sobre mim,chegando no colégio,a senhora da chatice Kinsley me chamou
na sala dela e disse que meus pais estavam vindo para a cidade,e que eu iria
ser liberada por alguns dias,e que era para eu arrumar minhas coisas.
O que estava acontecendo? Meus pais nunca fizeram
isso,era alguma coisa realmente ruim. Mas iria ser bom assim eu poderia morrer
em paz,afinal o que eu sentia estava na cara ser uma doença muito grave.
Encontrei Wendy e informei que eu iria passar uns dias
fora,fui até meu quarto e arrumei uma mochila. Tudo tava tão confuso, fui até o
banheiro, minha imagem ainda estava embaçada, eu tinha que encontrar uma coisa:
eu.
Alguém batia na porta, quando abri era ele, Vincenzo.
Ele olhou para o quarto e viu minha mochila e disse:
-Vai fugir?Ou lembraram de você?
-Lembraram de mim, eu vou passar uns dias com os meus pais,
acho que estou no meu leito de morte.
-Você acha isso? Acho que é besteira sua, coisa da sua
cabeça, talvez é só uma fase.
-Fase terminal para mim. Então você sabe muito sobre
mim agora. E você para mim é só um mistério.
-Você volta quando?-Perguntou ele tentando sair do assunto
-Não sei,é só alguns dias,no máximo uma semana.
-Vou sentir sua falta.
-Isso é uma brincadeira?
-Não,não é. Não brinco com isso.
- É que a gente se conhece não tem muito tempo
-Você é a única pessoa interessante por aqui
-Que gentil.
-Eu vou indo,tenho que escrever para os meus pais.
Fico feliz por você poder sair um pouco daqui, vai ser bom, e quem sabe você
não se descobre.
-É eu espero.
-Tchau- Ele ia saindo do quarto.
Terminei de arrumar minhas coisas, peguei minha mochila,
vi quando o carro dos meus pais chegou ao portão. Desci. Minha mãe e meu pai me
esperava no saguão.
Capítulo III
Não acredito!
Quando desci meus pais me esperavam, estavam de pé um
pouco depois da recepção, eu me aproximei e eles me abraçaram, e se olharam.
Fomos em direção ao portão que se abriu.
Entramos no carro, eu não sabia aonde íamos. Fomos do
colégio até um hotel meio bizarro. Onde só tinha pessoas bizarras.
Depois do meu pai, preencher algumas papeladas do hotel,
subimos. Era um hotel meio rústico, com uns lustres muito velhos, mas bonitos, não
tinha elevador ou algo do tipo. Subi vários degraus até dá em uma porta, a porta
do quarto onde eu iria ficar. Minha mãe quebrou o silêncio e disse:
-Valet, eu e seu pai estamos no quarto ao lado, qual
quer coisa é só chamar, encontro você ás sete lá no restaurante do hotel.
-Está bem, depois eu queria fazer algumas perguntas
para vocês pode ser?
-Claro,filha!-disse meu pai- Mais acho que não vai precisar,
trouxemos você aqui para esclarecer todas suas dúvidas.
-Então tá. Eu vou deixar minha mochila no quarto e
encontro vocês daqui a pouco lá em baixo.
Eles entraram para o quarto, e eu entrei no meu.
Quando abri a porta, o quarto tinha uma cama, um abajur de madeira, alguns
livros. Andei por ele todo. Encontrei várias coisas, encontrei cartas,encontrei
até um diário aberto com umas páginas arrancadas,e outras queimadas,pouca coisa
dava para se ler,pude folhear algumas páginas,e tinha uma data muito antiga,o
diário era antigo. Explorei mais o quarto, havia livros e livros, alguns até em
latim. Olhei da janela, tinha uma vista bonita e sombria de uma floresta gelada.
Quando dei por mim já era hora de encontrar com meus pais. Desci.
Eles me esperavam em uma das mesas do restaurante, andei,
e me sentei. Meu pai olhou para minha mãe e cochichou:
-Eu começo ou você?
Olhei para eles. E minha mãe calou-se por instantes e
disse:
-Vamos os dois. Bom filha o que temos para te falar, talvez
você não acredite, ou talvez não reaja bem, mas tudo que fizemos pensamos em
você.
-Tá gente, por favor, prossiga -disse eu.
-Eu conheci sua mãe na faculdade, eu me apaixonei. Só
que nosso romance era proibido, por sermos seres completamente diferentes.
-Na personalidade?-Indaguei.
-Não. Eu sou um vampiro, e ela era uma humana.
-Você o que? Gente eu quero coisas sérias sem
brincadeiras, já não sou criança, para de falar as coisas metaforicamente.
-Ele está certo, filha. -Disse ela.
-Largam de ser bobos! Vampiros não existem.
-Todos nesse hotel são Valentina. Não estamos brincando,
esse é um papo sério.
-Então o que eu sou? Meio-humana?-Perguntei
-Ou meio - vampira -Disse meu pai- Você está na idade
da transformação, não está reparando que coisas estranhas vêm acontecendo com
você? Essa sua febre, essa sua indisposição ao sol, e outras coisas que você
sabe o que é.
-Olha isso tudo é muito pra mim. Eu preciso de dá uma
volta-me levantei.
-Não.Espere filha- Minha mãe disse se levantando
-Deixa ela Helena- Disse meu pai- Aqui é seguro.
Caminhei até a floresta gelada. Corri, flutuava. O
mundo caía sobre mim. Tudo em que eu acreditava ser foi destruído. Agora eu era
uma arma. Eu era o que não queria ser. Gritei, meus gritos ecoavam tão alto, que
fazia os corvos ,voarem. Respirei fundo encostei-me a uma árvore, e fui caindo.
Passei um tempo ali, sentada naquele chão cheio de
folhas secas, pensando. E ali fiquei por um bom tempo,quando dei por mim o sol
já havia ido embora e agora a noite avançava,silenciosa e gelada. Vi um vulto, olhei
para o lado minha mãe estava lá, e disse:
-Filha vamos voltar para o hotel! Precisamos terminar
a conversa.
-Ainda tem mais? Vão me contar o que agora?
-Vem.
Fomos caminhando silenciosamente até o hotel, chegando
lá, meu pai nos aguardava ainda na mesa. Sentamos. E ele resolveu se
manifestar:
-Tá mais calma mocinha?
-Porque vocês me deixaram naquele colégio abandonada
como um cão sem dono?
-Fizemos isso para o seu bem. Vida de vampiro é
fácil,quando poucos acreditam e poucos a conhecem,mas torna-se perigosa quando esses
poucos vêm te caçar como animal - Disse ele.
-Então, onde eu entro nisso?
-Passamos a vida tendo que nos mudar de um canto á outro,
achamos que você merecia uma vida normal até onde desse.
-Vida normal? Você chama isso de vida normal? Ficar
presa em um colégio onde você não tem ninguém para te dá atenção te dá carinho,
eu queria ser uma criança normal, mais passei a minha infância sozinha
desejando está ao lado de vocês. Vocês não sabem o que é uma vida normal então-
Falei com um tom mais alto, e me estressando.
-Calma filha- disse minha mãe- Não é assim.
-É assim sim- respondi.
-Valentina entenda nosso lado,quando sua mãe teve você
quando você era só um bebê,ela quase morreu, ela escolheu se transformar para
vê você crescer para te proteger. Há pessoas lá foram que vivem a nos caçar. Queríamos
que aquele bebê ficasse a salvo, pelo menos até ela se transformar. Deixamos
você lá naquele colégio porque tínhamos uma pessoa de confiança lá,que saberíamos
que ia proteger você,ou nos avisar quando alguma coisa estivesse errada.
-Quem?-Perguntei
-Não podemos falar agora- Disse minha mãe.
-Tá, me deixa vê se entendi. Eu sou meio - vampira.
Cresci longe de vocês porque há pessoas que nos caçam? Como se já não me
sentisse animal o bastante.
-Eu sei filha como é difícil, há restrições e muito
cuidado nessa vida- disse meu pai.
- E quais são?- Perguntei
-Há boas coisas de ser um vampiro, e há más. As boas
são que daqui a dois anos quando o processo de transformação tiver chegado ao
fim,você irá ter dezoito para sempre,claro na aparência,ganhará a imortalidade,você
terá mais força e seus sentidos ficarão mais apurados do que de qual quer
humano,terá o controle,assim que você conseguir aprender os métodos,você
conseguirá hipnotizar qual quer humano,terá uma maior habilidade,poderá correr
mais, sendo até quase impossível de prevenir sua chegada,e poderá saltar de
grandes alturas.
-Vampiros também morrem filha- Disse minha mãe- Se uma
estaca de madeira ou uma adaga especial atravessar seu coração, ou se você se
expor a luz do sol.
-E como eu vou sair? Como vocês aparecem no colégio e
nada aconteceu com vocês?
-Íamos chegar aí. Temos um presente para você.
-Para mim? O que é?
-É um colar. Com esse colar você poderá viver em sociedade,
poderá sair à luz do sol sem nenhum problema.
-E o que tem de especial nesse colar?- Perguntei.
-Uma pedra vermelha especial. Agora não vamos explicar
tudo você irá entender depois.
-Onde conseguiram isso?
-Uma amiga nossa, fez para você, talvez um dia você a
conheça.
-E o que vai ser da minha vida agora?-Eu perguntei.
-Você voltará para a escola dentro de poucas horas.
Meu pai subiu para ir buscar o tal colar. Eu fiquei
esperando com minha mãe na mesa, e ela disse:
-Filha agora você tomará todo cuidado do mundo, fique
de olho os caçadores estão por aí.
Meu pai voltou. E me deu uma caixinha de madeira. Abri.
Dentro dela havia um colar, cujo pingente era um pequeno raio e atrás dizia
algo que não conseguir ler, o raio tinha na beirada a pequena pedra vermelha.
Era realmente lindo. Meu pai disse:
-Não tire esse colar em hipótese nenhuma quando estiver
a luz do dia a menos que queira virar pó.
Depois dessa conversa subimos para arrumar nossas
coisas,eu iria voltar ao colégio.
Besteira não
havia nenhum perigo naquele colégio.
NARRATIVA DE
VINCENZO
Capítulo IV
O começo
Quando cheguei naquele colégio pela primeira vez,
estava parado no portão, passou um vento forte, um galho havia batido na janela,
fez um barulho tão intenso que eu olhei e quando olhei, avistei uma garota que
me observava, ela era muito bonita, eu não conseguia parar de olhar, fixei meu
olhar na janela, em que ela me observava, mas de repente ela desapareceu.
A diretora do colégio mostrou a escola a mim e aos meus
pais que me acompanhavam.
Não fui para aquela escola por motivos normais eu
tinha uma missão, minha primeira missão.
Fiquei em um quarto separado, ou seja, não iria ter
colega de quarto, meus pais haviam solicitado a diretora. Tudo isso para que eu
completasse a minha missão e era o que eu pretendia.
Depois de mostrar toda a
escola,fui com a diretora acompanhar meus pais até o portão principal. Quando
fui me despedir deles minha mãe relembrou o que eu teria que fazer,e meu pai me
deu um livro,uma espécie de manual, e me deu alguns dentes de alho que eu
guardei no bolso da jaqueta de couro preta que eu usava,alhos alimento
importante para descobrir o que eu estava procurando,não era o que mais quem.
Quando ia subindo para o quarto,a garota da janela estava descendo eu
fingi de distraído e esbarrei nela por querer, e ela fez uma cara tão
repulsiva,deveria ter sentido o cheio dos alhos dentro do meu bolso,uma pessoa
normal não sentiria o cheiro dos alhos,até porque estavam em seu estado normal.
Eu ainda não tinha certeza absoluta,toda certeza era pouca,então decidi
investigar mais.

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